A implementação do sistema de transporte público de elevada capacidade (BRT) em Braga não foi cancelada, mas a sua concretização sofrerá alterações significativas com a nova estratégia de mobilidade definida pelo executivo municipal liderado por João Rodrigues. A prioridade deixa de ser o centro da cidade e passa a incidir nos acessos externos, nas ligações intermunicipais e na articulação com a futura estação ferroviária de Alta Velocidade.
Segundo explicou o presidente da Câmara Municipal de Braga, o projeto de BRT mantém-se previsto no Plano Diretor Municipal e nos instrumentos de planeamento territorial, mas a linha central, desenhada no mandato anterior, não avançará nesta fase. A decisão resulta de uma opção política distinta da do anterior executivo, que previa iniciar o sistema pelo interior da cidade e expandi-lo progressivamente para a periferia.
João Rodrigues defendeu que avançar com o BRT no centro, sem resolver previamente os problemas de atravessamento e de acessos à cidade, poderia agravar os atuais constrangimentos à mobilidade urbana. “O problema está no centro, mas a solução está fora”, afirmou, sublinhando que a supressão de vias rodoviárias no interior da cidade, sem alternativas viárias externas, teria impactos negativos na vida quotidiana de milhares de pessoas.
A nova abordagem passa por alinhar o BRT com os grandes eixos estruturantes da mobilidade regional. O município pretende agora concentrar esforços na ligação do sistema de transporte público de elevada capacidade à futura estação de Alta Velocidade e ao concelho de Guimarães, projetos que serão desenvolvidos em articulação com o Ministério das Infraestruturas e com a autarquia vimaranense.
Esta reorientação surge em paralelo com o anúncio da construção da circular externa de Braga, financiada pelo Governo, considerada pelo executivo municipal como condição essencial para retirar do centro urbano uma parte significativa do tráfego automóvel de atravessamento. De acordo com João Rodrigues, cerca de 60% do trânsito que entra diariamente no concelho não tem como destino final o centro da cidade, mas acaba por atravessá-lo por falta de alternativas.