Um quinto da população portuguesa dos 15 aos 74 anos bebe álcool diariamente e a dependência quase quadruplicou em 10 anos, segundo dados oficiais de 2022, que apontam facilidade de acesso dos jovens e falta de estratégias.
Os dados constam do Sumário Executivo dos Relatórios Anuais para 2024 do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que agrega informação de um conjunto de inquéritos e barómetros dos últimos anos, em Portugal e a nível europeu, sobre consumos e dependências entre jovens e população geral e é hoje apresentado na Assembleia da República.
Segundo o inquérito nacional de 2022, entre consumidores atuais “o consumo diário/quase diário de alguma bebida alcoólica era de 37% (20% dos inquiridos), com 30% dos consumidores a ingerirem diariamente vinho, 12% cerveja e 2% bebidas espirituosas”.
“Quanto a padrões de consumo abusivo ou dependência de álcool, 3,1% da população (5,1% dos consumidores) tinha, nos últimos 12 meses, um consumo de risco elevado/nocivo e 1,1% (1,8% dos consumidores) apresentava sintomas de dependência”.
Na faixa etária dos 15 aos 34 anos, 3,6% tinham consumo de risco e 0,4% sintomas de dependência (6,2% e 0,7% dos consumidores), acrescenta o relatório, que assinala padrões mais graves entre os homens, com a faixa dos 25-34 anos a ter os comportamentos mais nocivos e a dos 45-54 a maior prevalência de dependência.
Segundo o ICAD, apesar do aumento da abstinência, não houve melhorias nos indicadores, com consumos a começarem mais cedo e o agravamento dos consumos nocivos e da tendência de aumento da dependência desde 2012, “que quase quadruplicou em dez anos”.