09 MAR 2026

As invasões biológicas são um dos principais motores da perda de biodiversidade a nível global e os seus efeitos tendem a intensificar-se nas próximas décadas. O alerta é do investigador Ronaldo Sousa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), o único português a integrar duas equipas internacionais responsáveis por novos estudos de referência sobre o tema.

As conclusões foram publicadas na Biological Reviews, uma das principais revistas científicas na Biologia. Os artigos The Impacts of Biological Invasionse The Spread of Non-Native Species, com autores de 20 países dos vários continentes, analisam os impactos ecológicos, económicos e sociais das espécies invasoras, bem como os mecanismos que explicam a sua rápida disseminação, sublinhando-se a urgência de prevenir e gerir a sua dispersão nos ecossistemas terrestres e aquáticos.

Os estudos demonstram que as espécies não nativas alteram profundamente o funcionamento dos ecossistemas, interferindo nas cadeias alimentares, nos ciclos biogeoquímicos e na estrutura das comunidades biológicas. Estes impactos traduzem-se não apenas em perdas ecológicas significativas, mas também em elevados custos económicos, com prejuízos para setores como a pesca, a agricultura e a floresta, além de riscos diretos para a saúde humana.

×