Uma multidão de fiéis participou ontem na secular Procissão dos Passos de Real, presidida, pela primeira vez, pelo Bispo auxiliar de Braga, D. Nélio Pita. O cortejo religioso que evocou a Paixão e Morte de Cristo saiu da igreja paroquial e seguiu o trajeto habitual, integrando cerca de 400 figurados.
No Sermão do Encontro, o momento alto da procissão, que decorreu junto às escolas básicas da freguesia, o pregador, o cónego José Paulo Abreu, lembrou os conflitos que atormentam atualmente o mundo e apelou ao diálogo, à concórdia e à paz. «A violência grassa por todo o lado. Não queremos mais caos, mais mísseis, mais drones a atacar, não queremos mais destruição, famílias completamente destroçadas, sociedades aterrorizadas», afirmou o pregador.
Lamentando as atitudes de «prepotência» e de «violência» do homem, o cónego José Paulo Abreu pediu orações pelos governantes para que estes tomem as melhores decisões. E comparando com o tempo de Jesus, caraterizou Judas como o lado sombrio da humanidade, porque traiu Cristo por «30 dinheiros».
De um púlpito improvisado, diante das imagens de Jesus e de Sua Mãe, o prelado começou por refletir sobre a mensagem salvífica de Deus, afirmando que Jesus «não foge à cruz dos compromissos».
«Jesus ama a todos apesar de todas as infidelidades, Jesus quer o bem da humanidade», afirmou, lembrando que Cristo é a esperança neste mundo caótico.