29 ABR 2026

A associação MulherEndo denunciou esta terça-feira que as mulheres com endometriose em Portugal continuam sem acesso facilitado a todos os tratamentos, alertando que a recente decisão do Infarmed de excluir a comparticipação de 69% num medicamento está a agravar os custos para as doentes, que podem ultrapassar os 800 euros por ano. A associação contesta o relatório do Infarmed e pede reapreciação.

Susana Fonseca, presidente da associação, diz que “em termos económicos, é muito dispendioso”. “Temos inclusivamente doentes que não têm oportunidade de pagar o valor que custa mensalmente e, portanto, acabam por não o poder tomar”, refere.

A justificação apresentada no relatório de avaliação público do Infarmed aponta para a ausência de evidência de superioridade face a um medicamento já disponível no mercado. A MulherEndo contesta esta leitura, sublinhando que a comparação não tem em conta diferenças relevantes para a vida das doentes: “Estamos a falar de um tratamento oral, de toma diária, que contrasta com uma alternativa injetável mensal, que exige administração por profissionais de saúde e pode implicar medicação adicional para gestão de efeitos secundários. Esta diferença na forma de administração tem impacto direto na qualidade de vida, na adesão à terapêutica e na autonomia das mulheres”, acrescenta,

Neste sentido a associação fez chegar ao Infarmed uma contestação ao relatório público de avaliação do referido medicamento, com um pedido de reapreciação do mesmo.

Susana Fonseca reforça que a endometriose é, acima de tudo, um problema de saúde pública, mas também uma das principais causas de infertilidade feminina, que tem repercussões que vão muito além da dor física: absentismo laboral, custos elevados para o Serviço Nacional de Saúde, impacto na natalidade. “Estamos a falar de uma doença que não afeta só a quem lhe dói fisicamente, mas tem aqui um impacto muito mais abrangente do que isso”, acrescenta, lamentando o facto de, em Portugal, se continuar a tratar a endometriose de forma paliativa e não proativa.

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