24 MAI 2026

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) criticou a intenção do Parlamento Europeu de reduzir significativamente os apoios comunitários destinados ao jornalismo no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, acusando ainda o Governo português de não responder aos pedidos de reunião feitos há mais de um mês.

Em comunicado, o SJ associa-se à preocupação manifestada pela Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), considerando que os cortes previstos são “prejudiciais para a democracia” e insuficientes para garantir uma comunicação social “forte e independente”.

O novo programa europeu AgoraEU prevê uma componente dedicada ao “Jornalismo e Informação”, mas apenas 11,7% da verba total será destinada ao setor, o equivalente a cerca de 1,25 mil milhões de euros ao longo de sete anos.

Segundo a FEJ, o valor fica abaixo da proposta inicial da Comissão Europeia, que apontava para 3,2 mil milhões de euros repartidos entre audiovisual e notícias.

“A Europa não pode declarar o jornalismo essencial para a democracia e, simultaneamente, alocar apenas uma fração do programa para o apoiar”, afirmou a presidente da FEJ, Maja Sever.

O Sindicato dos Jornalistas revelou também ter contactado os ministros das Finanças e da Presidência para discutir a necessidade de reforçar o financiamento europeu ao setor e criar modelos de distribuição equitativos em Portugal, mas garante não ter recebido qualquer resposta.

“É preocupante este sinal de desinteresse do Governo na sustentabilidade do jornalismo português”, afirmou o presidente do SJ, Luís Simões.

O sindicato alerta ainda para as dificuldades económicas enfrentadas pelos órgãos de comunicação social europeus, agravadas pela quebra das receitas publicitárias tradicionais e pela crescente influência das plataformas digitais.

A diretora da FEJ, Renate Schroeder, defendeu um compromisso mais forte da União Europeia no apoio ao jornalismo de interesse público, alertando que muitos meios de comunicação, sobretudo locais, enfrentam “uma ameaça de extinção”.

Apesar das críticas aos cortes, a FEJ destacou como positivo o facto de o Parlamento Europeu prever salvaguardas que ligam os apoios europeus a condições de trabalho justas, independência editorial e remunerações adequadas para os jornalistas.

O SJ apela agora a que a posição final sobre o programa AgoraEU, prevista para novembro, reforce o financiamento europeu destinado ao jornalismo independente.

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