O número de pedidos de ajuda ao Banco Alimentar Contra a Fome de Braga está a registar um crescimento sem precedentes. A crise energética associada ao aumento da inflação - especialmente no custo do cabaz alimentar - a par da crescente subida do preços das rendas de casa, está a deixar muitas famílias sem possibilidade financeira de acesso a uma alimentação regular.
«Há cada vez mais famílias a precisarem de apoio alimentar», disse ao Diário do Minho a presidente da Direção do Banco Alimentar Contra a Fome de Braga. Maria do Pilar Meneses Barbosa precisou que «o preço das rendas de casa, o custo das casas e o aumento que se tem verificado no custo do cabaz alimentar são as razões que justificam o aumento do número de pedidos de ajuda.
Os dados recolhidos pelo Banco Alimentar que serve os 14 concelhos dos Baixo Minho evidenciam que «a maior procura tem sido sempre nos centros urbanos», especialmente «nas áreas urbanas de Braga e Guimarães». Pilar Barbosa destaca que nas duas maiores cidades do Minho «há mais famílias sem acesso» regular a alimentação do que nas periferias.
A responsável máxima do Banco Alimentar Contra a Fome de Braga nota que a procura de ajuda tanto é feita por cidadãos nacionais como por imigrantes.«Em Braga, temos muita população brasileira e angolana, mas temos também portuguesa. O aumento dos pedidos de ajuda não são uma consequência da imigração», embora também haja casos de pessoas que são obrigadas a recorrer à ajuda do Banco Alimentar e das mais diversas instituições que operam na área da solidariedade, porque encontraram no país uma realidade muito diferente do «sonho que lhes foi vendido» na terra natal.
Com a pressão de tentar dar resposta a um número de pedidos cada vez maior, o Banco Alimentar Contra a Fome de Braga encara a campanha de recolha de alimentos do próximo fim de semana - sábado dia 30 e domingo dia 31 de maio - com otimismo realista.