O presidente da Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave (ATAHCA), José da Mota Alves, apela à criação de uma política de Estado para o desenvolvimento rural, sustentada numa visão integrada e de longo prazo, advertindo que os fundos comunitários, apesar de indispensáveis, não têm sido suficientes para travar o despovoamento e a perda de dinamismo económico e social dos territórios rurais.
Numa nota à imprensa, o dirigente, que cessará funções no final do mês após cerca de 35 anos à frente da ATAHCA e da coordenação do Grupo de Ação Local, sublinha que «o problema do mundo rural não é apenas agrícola nem exclusivamente económico», mas também «social, demográfico, cultural e territorial», defendendo respostas articuladas entre diferentes áreas governativas. Mota Alves propõe que o Governo aprove uma Resolução do Conselho de Ministros para criar um Programa Interministerial de Desenvolvimento Rural Integrado (PIDRI), envolvendo vários ministérios, como os da Agricultura, Saúde, Educação, Cultura, Ambiente e Segurança Social. «O que Portugal necessita é de uma verdadeira política de Estado para o desenvolvimento rural, assente numa visão integrada, transversal e de longo prazo», afirma, alertando que, sem um compromisso político duradouro, «o mundo rural português continuará a perder população e dinamismo económico e social».
O responsável considera que a revitalização dos territórios rurais depende não apenas da agricultura e da floresta, mas também da existência de escolas, cuidados de saúde, habitação, emprego, mobilidade, cultura, turismo sustentável, serviços públicos de proximidade e acesso às tecnologias digitais.