Este ano, o som das tesouras a cortar as uvas começou a ouvir-se mais cedo no Minho. A vindima nunca tinha começado em grande escala tão cedo, ainda em meados de agosto. A par da antecipação da colheita, os produtores destacam a abundância e a qualidade da produção.
No Soalheiro, na Sub-Região de Monção e Melgaço, a vindima começou no dia 11 de agosto, a data mais precoce da história da empresa, decorrendo até 11 de setembro. «A vinha pedia isso. Quem manda é a vinha e nós temos de acompanhar o seu ritmo», afirma Maria João Cerdeira, gestora e co-proprietária.
Como o ciclo de 90 dias da videira aconteceu mais cedo, os controlos de maturação começaram logo em julho. O planeamento da vindima tinha arrancado três meses antes, porque a operação envolve 700 parcelas pertencentes às 200 famílias que compõem o Clube de Viticultores. A área total ascende a cerca de 100 hectares, sendo 14 hectares propriedade do Soalheiro, confirmando-se uma colheita «muito boa».
O Soalheiro paga 1,30 euros por quilo de uva de vinhas novas e 1,40 euros pela uva de vinhas velhas. Um hectare de vinha nova produz na ordem dos 10 mil quilos, enquanto a vinha velha fica pelos 8 mil quilos. «Uma vinha velha produz menos, mas é mais sábia. Os cachos são mais pequenos, menos exuberantes, mas mais equilibrados», explica.
Em dezembro de 2024, o Soalheiro tornou-se a primeira marca de Monção e Melgaço a ser certificada pelo Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade do Sector Vitivinícola. O tratamento biológico exige mais atenção e acrescenta trabalho, mas a produtora não abdica desta aposta de longa data.