31 JUL 2025

A montanha “ficou preta de cinzas” e tornou-se “triste” a natureza que atrai visitantes ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Ponte da Barca, onde o fogo que começou no sábado deixou trilhos queimados e negócios em risco.

“A nossa mais-valia é a natureza. É impossível continuar a fazer as atividades. Ardeu tudo, está tudo negro. O que as pessoas vêm ver e desfrutar desapareceu. Mais de metade da faturação do ano desapareceu. O impacto é gigante. Estamos muito preocupados, não só com a temporada, mas com os empregos que ficam em causa”, descreveu à Lusa Joel Pereira, sócio de uma empresa de ‘canyoning’ (descida de rios e ribeiros de montanha com desníveis) com 20 anos e sede na freguesia de Entre-Ambos-os-Rios, em Ponte da Barca.

Joel só esta quarta-feira subiu até à Serra Amarela, na zona da Ermida: “Estava tudo negro. Dói-me a alma”, resumiu, questionando “quais vão ser os próximos passos” e “o que as entidades vão fazer, em conjunto com a comunidade, para que não se repita” o cenário.

“A natureza tornou-se triste. Tornou-se uma montanha preta, de cinzas. Antes, era verde. Agora, mete pena”, descreveu Nuno Rodrigues, responsável por um restaurante e alojamento no Lindoso. No domingo teve de fechar o estabelecimento mais cedo, para ajudar uma funcionária que “viu a casa ameaçada” em Parada.

Anna Altshul, proprietária de um parque de campismo em Entre-Ambos-os-Rios, observa que o espaço se situa “numa Península entre Ponte da Barca e o Lindoso”, porque está “rodeado pela água dos rios” e “não há hipótese de o fogo lá chegar”.

Na segunda-feira tinha 150 clientes, esta quarta-feira tem 23 e há pessoas “a desmarcar reservas até ao fim de agosto”. “Estou quase a chorar com o que se está a passar. Passei duas horas durante a manhã a tentar explicar às pessoas que ligam a cancelar que aqui está tudo bem. Nem sei se vou conseguir manter o negócio e as equipas. Precisamos de fazer negócio agora, na época alta”, justificou.

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