Famílias de todo o país continuam à procura de escola para os filhos, como o caso do aluno colocado a 40 quilómetros de casa, revelou hoje um grupo de pais que vai avançar com uma ação contra o Estado.
Este é apenas um dos relatos que chegaram por e-mail ao grupo de pais que na passada sexta-feira anunciou que iria levar o Ministério da Educação a tribunal, porque as aulas estavam a começar e os filhos continuavam em casa, sem colocação em nenhuma escola pública.
Desde então, o grupo recebeu “mensagens de cerca de 50 famílias de todo o país, da região do Grande Porto para sul. Há casos de todos os níveis de ensino, muitas histórias de crianças que estavam no programa Creche Feliz e que agora não têm vaga no pré-escolar, mas há de tudo: desde mudanças de ciclo a mudanças geográficas”, disse à Lusa Rui Boavida, porta-voz do grupo “Não Somos Bonecos”.
Entre os casos de quem mudou de cidade, Rui Boavida destaca a história de uma família que vivia em Camarate e se mudou para Torres Vedras. “O miúdo ficou colocado numa escola de Camarate, a mais de 40 quilómetros de casa”, denunciou.
Há também “muitos casos de miúdos no espetro do autismo”, lamentou o pai, que se tornou porta-voz dos encarregados de educação.
A Lusa questionou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) sobre quantos alunos continuam hoje sem escola atribuída e aguarda resposta.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) apresentou hoje dois números: Só no concelho de Sintra existem 744 alunos sem escola e em Lisboa 550, elencou o secretário-geral da maior estrutura sindical de professores, Francisco Gonçalves.
Para a Fenprof, o problema foi agravado com o “desmantelamento do Ministério da Educação", aludindo à integração dos serviços da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) na recém-criada Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE).