O presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) Braga defendeu, esta quarta-feira, que as IPSS devem manter a sua autonomia perante o Estado.
Para o padre José Antunes a cooperação com o poder central é essencial e deve ser aprofundada, mas o futuro do setor social exige instituições independentes e capazes de responderem às novas necessidades da população, como o envelhecimento, sem ficarem demasiado condicionadas por procedimentos administrativos.
Na abertura do segundo dia da 11.ª Semana Social da UDIPSS Braga, que decorre até amanhã, no Forum Braga, sob o tema “O Futuro das IPSS: Desafios e Perspetivas para o Setor Social”, o padre José Antunes sublinhou que discutir o futuro das IPSS é também discutir «o futuro da própria sociedade portuguesa», dada a sua presença em áreas como a infância, deficiência, envelhecimento, pobreza, doença, e apoio às famílias.
Segundo o presidente da UDIPSS Braga «a autonomia das instituições sociais é um princípio essencial», tendo estas instituições nascido da iniciativa das comunidades e da solidariedade organizada dos cidadãos», pelo que têm «uma identidade, uma história e missão próprias, que devem ser preservadas».
«A cooperação com o Estado é fundamental e queremos aprofundá-la, mas a cooperação não significa dependência. Ser parceiro do Estado não significa ser uma extensão do Estado. As IPSS devem continuar a ter liberdade para inovar, para encontrar respostas diferentes, para responder às necessidades concretas das suas comunidades. A autonomia não é um privilégio das IPSS, mas antes é uma condição para que possam cumprir melhor a sua missão no futuro», argumentou.
O presidente da UDIPSS Braga deixou ainda um alerta para o risco de excessiva burocratização que as instituições sociais enfrentam, advertindo para o peso crescente dos procedimentos administrativos sobre as instituições.