A civilização europeia de matriz católica assinala hoje, dia 11 de novembro, o “dia das castanhas e do vinho”. A celebração dos populares “magustos” resulta de um provérbio que fez história. “No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”, convida a tradição secular da velha Europa, que tem São Martinho de Tours (cidade francesa) como seu padroeiro.
O convite em jeito de desafio tem um propósito bem claro: provar o primeiro vinho do ano, acompanhado de castanhas assadas e boas companhias. É um momento que nos liga profundamente à terra, à agricultura e aos seus frutos. Daí resultam os múltiplos adágios populares convidativos aos prazeres da degustação: “Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo São Martinho”; “No dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho”; “No dia de São Martinho, fura o teu pipinho”; “No dia de São Martinho, comem-se castanhas e bebe-se vinho”; “No dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho”; “Pelo São Martinho, todo o mosto é bom vinho”; “Pelo São Martinho prova o teu vinho”; ou “Ao cabo de um ano já não te faz dano”.
A verdade pura e simples é que a devoção do dia de São Martinho coincidiu com o dia em que tradição profana celebrava a abertura das vasilhas para testemunhar a qualidade do vinho vindimado nesse ano, que acabava de fermentar. Em causa estão rituais que celebram as colheitas tradicionais de novembro, nomeadamente as castanhas e os cogumelos, desde há séculos associadas à “prova” do vinho “novo”.
E para a história fica um exemplo singular: santo francês nascido em Tours dividiu as sua vestes com um mendigo que padecia de frio extremo e que, segundo a tradição, se veio a revelar o próprio Jesus Cristo.
“Eu tive frio e Martinho cobriu-me”, reza lenda. A mesma lenda que nos remete para degustação dos prazeres das castanhas assadas no rigor do início do inverno: «Por São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho”, aconselha o suplemento de hoje do Diário do Minho.