O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-NORTE), António Cunha, afirma que a região tem «enormes motivos de confiança» para deixar de ser a mais pobre do país, sublinhando que os apoios europeus estão cada vez mais orientados para projetos que reforcem a inovação empresarial, a internacionalização e a criação de emprego qualificado.
Em entrevista ao Diário do Minho, António Cunha reconhece o paradoxo que continua a marcar o Norte: uma região líder nas exportações nacionais, com forte base industrial, universidades de qualidade, centros de investigação de excelência e clusters altamente competitivos, mas que permanece nos últimos lugares em termos de rendimento médio.
«Estes ativos coexistem com desafios estruturais que ainda impedem a sua tradução plena em riqueza e qualidade de vida», admite.
Segundo o responsável, a resposta passa por uma estratégia integrada que permita ao Norte subir na cadeia de valor, incorporando mais tecnologia e conhecimento nas atividades tradicionais, investindo no capital humano e criando condições para reter talento.
«É essencial apostar em qualificações, na atração de trabalhadores altamente qualificados, em habitação acessível e em serviços públicos de qualidade», defende.
António Cunha destaca ainda a evolução positiva dos indicadores educacionais nos escalões etários mais jovens. «Até aos 34 anos, o Norte já apresenta níveis de qualificação superiores às médias nacional e europeia, liderando em alguns casos», refere, sublinhando também a crescente terciarização da economia e a mudança do perfil de especialização industrial.
Questionado sobre a utilização dos fundos europeus, o presidente da CCDR-NORTE rejeita a ideia de que os investimentos não estejam a chegar à economia produtiva.
«Os fundos têm sido fundamentais para modernizar infraestruturas, apoiar empresas, saúde, ensino superior e cultura. No entanto, os efeitos na produtividade e no rendimento demoram a consolidar-se», explica. Por essa razão, a orientação atual privilegia projetos que elevem o valor acrescentado da economia regional e promovam emprego qualificado.