Vozes que atravessam gerações mantêm as Janeiras em Braga

Cantar as Janeiras continua a ser, em Braga e no Minho, um dos gestos mais simbólicos de preservação da identidade cultural da região. Em Gondizalves, essa tradição mantém-se viva pela voz do grupo Unidos Pelo Cavaquinho, uma associação que reúne várias gerações em torno da música tradicional e do espírito comunitário que marca o início de cada ano.

Para Paulo Costa, presidente da associação, cantar as Janeiras é muito mais do que um costume sazonal. É, sobretudo, prolongar as emoções do Natal. “Desde miúdo que as Janeiras, para mim, eram o não acabar do Natal. Passava a passagem de ano e parecia que ficava ali um vazio. As Janeiras vinham preencher esse espaço e dar mais um alento”, explicou ao Diário do Minho.

No Minho, a tradição de cantar de porta em porta, desejando um bom ano aos vizinhos, continua a ser vista como um gesto de proximidade e partilha. “É bonito irmos às casas desejar bom ano. É uma tradição muito antiga, com séculos, que cada terra foi adaptando à sua maneira”, acrescentou Paulo Costa, sublinhando que a prática remonta a tempos antigos.

A diferença entre cantar as Janeiras e cantar os Reis existe sobretudo no calendário, mas não na mensagem. “As Janeiras cantavam-se logo a seguir ao Natal, até aos Reis. A partir do dia 5 cantavam-se os Reis, mas o conceito é o mesmo: desejar um bom ano”, explicou.

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