O Arcebispo Metropolita de Braga exortou, esta quarta-feira, a ações concretas durante a Quaresma, como o jejum dos ecrãs e a partilha com pessoas ou causas, considerando que este é um tempo que convida a «alargar o coração a todos, especialmente aos que mais sofrem as consequências da violência do poder ou das forças da natureza».
D. José Cordeiro falava na homilia da Missa e Imposição das Cinzas, na Sé Primacial, celebração com qual a Igreja bracarense iniciou o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa, a «festa das festas».
O prelado recordou que a Quaresma é marcada por «um maior recolhimento e despojamento, o que leva alguns cristãos a verem este tempo litúrgico como um tempo triste, soturno, associado a privações, e que se espera que rapidamente passe para chegar à abundância pascal».
A isto acresce – referiu – que a Quaresma começa com a colocação de cinza na cabeça. «A cinza tem, para nós, um sentido simbólico de morte, de fim, de extinção. Num sentido mais alargado, simboliza também humildade e penitência. Mas não nos esqueçamos que a cinza já foi trespassada pelo fogo», explicou, realçando que «ela é também usada como fertilizante dos campos, estando associada a um renovar da vida, à conversão».
D. José Cordeiro sustentou que «algumas pessoas encaram a Quaresma como oportunidade para melhorar alguma faceta da sua vida, através da prática da caridade, de alguns dias de jejum além dos que estão prescritos, ou deixando as redes sociais em certos momentos».
No entanto, advertiu que «a Quaresma não é um tempo de “melhorismo” pessoal, sobretudo se isso significar que quando conseguimos atingir alguns dos objetivos a que nos propusemos, acharmos que temos algum mérito diante dos outros, ou até diante de Deus, fazendo de Deus um ídolo que é preciso aplacar com as nossas ações. Quaresma não é um tempo para alcançar uma suposta perfeição, que não se consegue atingir, nem sequer nos é pedida por Deus».
Em seu entender, «Quaresma é, sim, um tempo de graça e de misericórdia, que nos é oferecido para tomarmos consciência daquilo que estamos chamados a ser. É tempo para parar, para diminuir o ritmo, tantas vezes frenético, em que vivemos no dia-a-dia. É tempo para redescobrirmos aquilo que é essencial à vida, deixando de lado o que é supérfluo».