Num dia carregado de simbolismo, Inês Veiga decidiu celebrar a chegada à maioridade de uma forma pouco comum, mas profundamente significativa. No mesmo dia em que completou 18 anos e se assinala o Dia do Pai, a jovem dirigiu-se ao banco de sangue do Hospital de Braga para doar sangue pela primeira vez, acompanhada pelo pai
O gesto surge num momento particularmente sensível, em que o hospital tem reforçado o apelo à população devido à escassez de reservas de sangue.
“Desde pequena eu vejo avisos para doar sangue e foi uma coisa que eu sempre quis fazer. Eu pensava: eu tenho sangue, eu posso doar, posso ajudar alguém”, conta Inês, explicando que a ideia não surgiu por impulso, mas sim como um desejo antigo.
A coincidência de datas tornou a decisão ainda mais especial. “É um momento muito especial, na realidade, saber que vou ajudar alguém, basicamente”, afirma, sublinhando o significado de atingir a maioridade com um gesto de solidariedade.
Para a jovem, este não foi apenas um ato simbólico, mas também uma escolha consciente: “Eu acho que basicamente toda a gente tem a oportunidade de ajudar o outro e eu achei que este dia era o mais especial”.
Ao seu lado esteve sempre o pai, Patrício Veiga, que não esconde a emoção ao partilhar este momento com a filha.
“O que me motivou mais foi ela, que lançou o desafio”, explica. Recorda que a filha já demonstrava interesse há algum tempo. “Passada uma semana depois de cá termos vindo, disse logo que ia dar sangue no dia de anos”, disse ao Diário do Minho.
O momento, admite, foi vivido com intensidade. “É uma mistura de emoções. O facto de ela ter atingido a maioridade e estar a partilhar este pequeno momento comigo é muito significativo”.
Mais do que uma simples atividade em conjunto, a dádiva de sangue transformou-se numa experiência de ligação entre pai e filha.
“Podíamos estar a fazer qualquer outra coisa, mas isto tem um simbolismo especial”, acrescenta.
Para Inês, a presença do pai foi essencial: “É uma sensação de segurança, conforto e apoio, por me apoiar nesta opção”.
O exemplo familiar poderá, aliás, ganhar continuidade. Questionados sobre o futuro, ambos admitem que a dádiva poderá tornar-se uma tradição. “Provavelmente vimos os três, mal recebemos a mensagem”, diz Inês, referindo-se também à mãe. Patrício confirma: “Se der, sim. Em princípio será nas férias, vamos os três”.
Também presente no momento, o médico Jorge Pimenta destacou o valor pedagógico deste gesto. Considera que a história de Inês e do pai representa “um exemplo único” da importância do ambiente familiar na promoção da dádiva de sangue.
“Há sempre um exemplo de um pai que é dador e os filhos vão assimilando essa ideia. Depois, quando chega o momento, tornam-se também dadores regulares”, explica.