O Hospital de Braga realizou na semana passada uma intervenção inovadora na área da cirurgia bariátrica, tornando-se a primeira unidade na Península Ibérica a testar um novo dispositivo tecnológico aplicado à técnica “sleeve”.
Em causa estão três procedimentos de gastrectomia vertical calibrada, conhecida como “sleeve”, uma das cirurgias mais comuns no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas associadas. A inovação reside no equipamento agora utilizado, que permite realizar o corte e a selagem do estômago de forma contínua, num único gesto.
Em declarações exclusivas ao Diário do Minho, a médica Cristina Ribeiro explicou que, ao contrário da técnica convencional, em que o corte é feito em vários segmentos, este novo dispositivo “permite uma linha de agrafagem mais homogénea e previsível”.
“Nas cirurgias convencionais, fazemos vários cortes de cinco a seis centímetros, o que pode resultar numa linha mais irregular. Este dispositivo faz esse processo de uma só vez, tornando a cirurgia mais uniforme”, detalhou.
Segundo a especialista, os estudos preliminares apontam para uma redução significativa de complicações. Entre os principais benefícios destacam-se a diminuição de hemorragias e, sobretudo, uma menor incidência de náuseas e vómitos no pós-operatório.
Outro dos aspetos mais relevantes prende-se com a redução do refluxo gástrico, uma complicação relativamente frequente após este tipo de cirurgia. “Há indicação de que a taxa de refluxo poderá baixar de cerca de 20% para 7%, o que é extremamente significativo”, sublinhou.
A médica destacou ainda que esta melhoria poderá evitar, em muitos casos, a necessidade de novas intervenções cirúrgicas. “O refluxo pode ser muito limitante e, em situações mais graves, obriga a nova cirurgia. Se conseguirmos reduzir essa taxa, é um ganho enorme para os doentes”, afirmou.
Para já, trata-se de uma fase experimental, mas o objetivo passa pela eventual adoção alargada da tecnologia. “Se confirmarmos as vantagens e a facilidade de utilização, a ideia é implementar este dispositivo na maioria das cirurgias”, acrescentou.