Cada minuto conta: O alerta e a recuperação no AVC no Hospital de Braga

No Dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral, o Diário do Minho foi ao Hospital de Braga ouvir quem vive de perto esta realidade, doentes e profissionais que lidam diariamente com uma doença onde cada minuto pode fazer a diferença.

Francisca Oliveira sabe-o bem. Tudo aconteceu de forma repentina. “Acordei de manhã com o braço direito preso, chamei a ambulância, foi questão de uns cinco minutos e vim para aqui”, conta. A rapidez acabou por ser decisiva e hoje, já em recuperação, fala com esperança. “Está a correr bem, trabalham bem”, diz.

Os dias são agora preenchidos com sessões intensas de fisioterapia. Caminhadas, bicicleta, exercícios, pequenos passos que significam grandes conquistas. “Já ando. Agora falta o braço, mas é mais lento”, explica. Ainda assim, as melhorias são evidentes: “Sinto-me melhor, mais ágil”.

Para perceber o que está por trás destes casos, a neurologista Ana Rita Silva explica de forma simples: o AVC acontece quando o sangue deixa de chegar ao cérebro. E reconhecer os sinais pode salvar vidas. Há três essenciais, os chamados “três Fs”: fala, face e força.

“A pessoa pode não conseguir pedir ajuda, por isso quem está ao lado tem de estar atento”, alerta. E perante qualquer suspeita, não há dúvidas: “É ligar imediatamente para o 112”. Ir por meios próprios pode atrasar um processo que já é, por natureza, uma corrida contra o tempo. “A cada minuto perdem-se milhões de neurónios”, reforça.

Os números mostram a dimensão do problema. No Hospital de Braga, são cerca de mil internamentos por AVC por ano. E há outro dado que preocupa: cada vez mais jovens estão a ser afetados, muitas vezes por fatores de risco como hipertensão, colesterol elevado, diabetes ou tabagismo.

Depois da fase mais crítica, começa outro desafio: recuperar. E é aqui que entra a reabilitação. “Não podemos falar de AVC sem falar de reabilitação”, sublinha a médica fisiatra Ana Rita Raposo.

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