Nova plataforma quer revolucionar licenciamentos municipais em Portugal

O Grupo Érre anunciou o lançamento do Érre Urbis, uma nova plataforma de inteligência artificial desenvolvida para transformar os processos de licenciamento urbanístico nos municípios portugueses, com o objetivo de reduzir a burocracia, acelerar procedimentos e reforçar a transparência administrativa.

A solução tecnológica surge num momento em que a morosidade dos processos urbanísticos continua a ser apontada como um dos principais entraves ao investimento e ao desenvolvimento urbano em Portugal. Através da automatização inteligente, validação em tempo real e centralização da informação, a plataforma pretende ajudar os municípios a tornar os procedimentos mais rápidos e eficientes.

Em declarações ao Diário do Minho, o CEO do Grupo Érre, Ramiro Brito, explicou que a plataforma combina uma vertente documental com inteligência artificial aplicada à certificação e autenticação dos processos. “Esta plataforma é uma plataforma de licenciamento que é programada em duas dimensões, uma base de gestão documental com inteligência artificial a fazer a parte de certificação e autenticação dos documentos. É uma plataforma que tem como objectivo automatizar os processos de licenciamento nos municípios”, afirmou.

Segundo o responsável, uma das principais vantagens do Érre Urbis é a sua capacidade de adaptação à realidade de cada autarquia. “A plataforma é 100% customizável, ou seja, ela é depois desenhada ou adaptada àquilo que são os processos que cada município tem inteiro. Nós sabemos que os processos em cada município são diferentes”, sublinhou.

Ramiro Brito destacou ainda o impacto que a ferramenta poderá ter na redução dos tempos de análise documental. “Só na fase de submissão e análise de documentos, estamos a falar, em alguns municípios, de reduzir três meses para 40 segundos, o que é substancialmente um grande ganho para todos, porque facilita não só a vida dos municípios, mas também a vida dos munícipes”, referiu.

O CEO do Grupo Érre acrescentou que a empresa procurou desenvolver uma solução tecnologicamente avançada, mas simultaneamente acessível e intuitiva para os utilizadores. “O nosso desafio foi um bocado humanizar isto. Quando juntamos uma equipa multidisciplinar orientada para ordenamento do território e outra para tecnologia, a tendência natural é tornar tudo automático e dotar isto do maior músculo tecnológico possível. Tivemos o desafio de fazer isto de uma forma sensível, perceber que vamos ter impacto nas instituições e na interação com as pessoas”, explicou. “É importante que ela seja simples e intuitiva”, acrescentou. 

Apesar da forte componente tecnológica, Ramiro Brito considera que o desenvolvimento da plataforma beneficiou da experiência acumulada pelo grupo na área digital e da inteligência artificial. “Do ponto de vista tecnológico, nós já tínhamos algum know-how quer no desenvolvimento, quer na área da inteligência artificial. Portanto, foi relativamente fácil chegarmos a este fim”, afirmou.

O primeiro foco da empresa passa agora pelo mercado nacional, numa altura em que o Governo tem vindo a defender uma maior digitalização dos serviços públicos. “Temos noção que está a ser feito um esforço no Estado Central, através do ministro da Reforma do Estado, para introduzir este tipo de ferramentas. Quisemos estar na primeira linha a fazer isso e a dar essa resposta”, disse.

A médio prazo, o Grupo Érre admite expandir o Érre Urbis para outras áreas da gestão urbana e avançar com a internacionalização da plataforma. “Esta plataforma, no futuro, para poder atingir o seu maior potencial possível, pode ser escalada para outras dimensões, mesmo dentro da própria gestão urbana. Temos aqui duas dimensões: uma internacionalização e outra o desenvolvimento interno para dar resposta aos ecossistemas municipais que temos em Portugal”, concluiu Ramiro Brito.

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