D. José Cordeiro destaca centralidade da Eucaristia na procissão do Corpo de Deus em Braga

A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo, popularmente conhecida como Corpo de Deus, voltou hoje a reunir milhares de fiéis nas ruas de Braga, numa manifestação pública de fé que, segundo o arcebispo de Braga, continua a afirmar a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e da comunidade cristã.

Em declarações ao Diário do Minho, D. José Cordeiro destacou a dimensão histórica e espiritual desta celebração, sublinhando que a procissão constitui uma das mais expressivas manifestações de fé da cidade.

“A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus, mais conhecida por Corpo de Deus, é uma manifestação de grande fé, esta manifestação pública que, desde o segundo milénio, assumiu proporções como estas que ainda hoje sentimos em Braga”, afirmou.

O arcebispo valorizou particularmente a aposta feita este ano na celebração litúrgica que antecedeu a procissão, considerando que contribuiu para reforçar a ligação entre a celebração da Eucaristia, a adoração e a vida quotidiana dos fiéis.

“O grande passo que este ano sentimos foi a valorização da celebração, a centralidade da Eucaristia e a solenidade das vésperas antes da procissão. Trouxe aqui a harmonia desejável entre a celebração, a adoração e depois a vida concreta do dia a dia, em ordem a uma espiritualidade eucarística”, referiu.

Apesar dos progressos alcançados, D. José Cordeiro entende que há ainda aspetos a melhorar para tornar esta manifestação religiosa mais participada e compreendida por todos. O prelado salientou, em particular, a necessidade de proporcionar uma melhor experiência às crianças, adolescentes e jovens que participam na celebração.

“Podemos melhorar muito mais na cidade de Braga”, afirmou, acrescentando que a Arquidiocese, através da Vigararia Geral, do Cabido e em articulação com as autoridades e o Município, pretende continuar a aperfeiçoar a organização da procissão.

“Queremos uma participação mais ativa e mais frutuosa para todos e, de um modo especial, para os mais pequeninos, porque vemos muitas crianças, adolescentes e jovens que, no rebuliço da multidão, têm maior dificuldade na compreensão, na vivência e na experiência do mistério”, observou.

O arcebispo defendeu ainda uma maior articulação entre as paróquias do arciprestado de Braga e as diversas entidades envolvidas, de forma a tornar a celebração “ainda mais bela e exemplar”, à semelhança de outros grandes momentos da vivência religiosa da cidade, como a Semana Santa ou a Peregrinação ao Sameiro.

Questionado sobre o significado desta solenidade para os cristãos, D. José Cordeiro foi perentório ao afirmar que a Eucaristia está no centro da identidade da Igreja.

“Tem um enorme significado, porque sublinha o essencial da vida da Igreja, que é a Eucaristia. Sem a Eucaristia não existe Igreja, sem a Igreja não existe a Eucaristia”, afirmou.

O responsável pela Arquidiocese de Braga recordou ainda que a celebração do Corpo de Deus acontece num período particularmente intenso da vida arquidiocesana, uma vez que já no próximo domingo partirá da Sé Primaz a Grande Peregrinação Arquidiocesana ao Santuário do Sameiro.

Por fim, D. José Cordeiro manifestou o desejo de que a procissão continue a crescer como testemunho público de fé e também como sinal de compromisso social e comunitário.

“Esta manifestação pública de fé pode ser marcante na construção da cidade, na construção da justiça, da paz e da partilha fraterna”, afirmou, acrescentando que uma celebração mais organizada poderá também tocar quem visita Braga.

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