dst propõe "construir casas como carros" contra crise habitacional

A modernização, a industrialização e a digitalização do setor da construção civil estiveram, esta quinta-feira, em debate na sede do dst group, em Palmeira, Braga, num seminário promovido em parceria com a Ordem dos Engenheiros.

 

O encontro, focado na urgência de responder à crise habitacional com novos modelos de produção, reuniu especialistas e decisores políticos, tendo sido antecedido, de manhã, por uma visita técnica à micro-cidade Norman Foster e à unidade ZETHAUS – Construção Industrializada, projetos de referência na produção de habitação em fábrica.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, abriu o seminário anunciando um ciclo expansionista de 75 mil milhões de euros em obras públicas para os próximos dez anos. O governante assumiu que o setor precisa de um salto urgente na produtividade e que o governo pretende impor ferramentas digitais como o sistema BIM – Building Information Modeling, defendendo, ainda, uma consolidação empresarial que crie grandes grupos capazes de assumir os riscos destas empreitadas e mitigar o défice de mão de obra.

No encerramento, o presidente do dst group, o engenheiro José Teixeira, elevou a discussão para uma dimensão moral e social, defendendo uma revolução que democratize o acesso à habitação e elimine os muros que segregam as comunidades, alertando que «há vezes, hoje, em que a arquitetura, a engenharia e os construtores acrescentam pobreza à pobreza do lado de lá do muro social».

O empresário adiantou que o grupo vai usar a agenda mobilizadora que captou para aproximar o fabrico de casas aos padrões de eficácia da indústria automóvel, permitindo «ter stands de casas a vender casas como no stand de automóveis se vendem carros», a preços compatíveis com os rendimentos dos portugueses. Esta mudança de paradigma visa alcançar uma ecologia total nos processos construtivos, aliando a redução de desperdícios à salvaguarda da dignidade humana no ordenamento das cidades.

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