Há letreiros que durante décadas fizeram parte da paisagem de Braga e que, com o encerramento de lojas ou a renovação dos espaços comerciais, correm o risco de desaparecer. É para preservar essa memória gráfica que nasceu o projeto “Letras de Braga”, que começou por documentar fotograficamente os elementos tipográficos e gráficos das ruas da cidade e que, desde 2021, passou também a recolher e salvaguardar fisicamente alguns desses exemplares.
O projeto nasceu em 2016, por iniciativa de Nuno Dias, com o objetivo de documentar os elementos tipográficos e gráficos presentes nas ruas de Braga. A preocupação com a preservação surgiu alguns anos mais tarde, sobretudo depois da pandemia, quando se tornou mais evidente o encerramento de estabelecimentos comerciais com história.
“Reparei que as lojas com história estavam cada vez a fechar mais. E estas peças normalmente são destruídas”, explica Nuno Dias, fundador das “Letras de Braga”. Para o responsável, os antigos letreiros ultrapassam a sua função publicitária original e assumem um valor enquanto património gráfico, artístico e histórico.
“São peças que conviveram connosco durante anos nas ruas”, sublinha, defendendo que estes objetos carregam uma forte componente de memória e nostalgia.
A parceria com Luís Tarroso e com a Velha Branca permitiu, entretanto, acelerar esse trabalho. “O projeto nasceu com o Nuno a começar a identificar os letreiros. Mais tarde começou a recolher e foi aí que nos conhecemos e fizemos esta parceria”, explica Luís Tarroso.
“Já chegamos tarde”, reconhece Luís Tarroso. Segundo o responsável, muitos exemplares interessantes desapareceram nas últimas décadas, enquanto outros continuam ameaçados pela pressão imobiliária e pelo encerramento de lojas. “As lojas estavam a fechar e, portanto, era urgente salvar esses letreiros porque, infelizmente, a maioria deles vai para o lixo.”