A tradição e o espírito de comunidade estiveram em destaque numa desfolhada minhota integrada nas Festas das Colheitas, em Vila Verde. A iniciativa, protagonizada pelo Rancho Típico das Lavradeiras de Aboim da Nóbrega, recriou uma prática ancestral do mundo rural, em torno dos costumes que marcaram gerações
Para Júlia Fernandes, presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, preservar estas tradições é uma responsabilidade coletiva. «É um legado que nós recebemos e que temos a obrigação de passar às novas gerações», afirmou, sublinhando que a Festa das Colheitas constitui uma «montra viva da tradição, do pulsar do mundo rural, da nossa cultura, das nossas raízes».
A autarca destacou ainda a importância da entreajuda, característica das desfolhadas de antigamente, quando vizinhos, familiares e amigos se juntavam para realizar o trabalho agrícola, partilhando também a comida e os momentos de convívio. Um espírito que, segundo referiu, continua a ser recriado nestas iniciativas.
Também Fernanda Rodrigues, presidente do Rancho Típico das Lavradeiras de Aboim da Nóbrega, salientou a importância de transmitir este património às gerações futuras, recordando as memórias de infância ligadas à desfolhada. «Quero deixar isto para a nova geração», afirmou, defendendo que estas práticas ajudam os mais novos a compreender o percurso dos alimentos até à mesa.
A continuidade da tradição passa, igualmente, pelo envolvimento dos jovens. Raquel Barros, integrante do rancho, considera que a preservação do folclore deve ser uma prioridade, embora reconheça que esta paixão tem vindo a perder espaço entre parte da juventude. Ainda assim, destaca a presença de jovens e crianças nos grupos do concelho e manifesta o desejo de ver mais pessoas da sua idade ligadas ao rancho.