Não diabolizar nem endeusar a inteligência artificial na comunicação. Saber aproveitar as novas potencialidades geradas pelas ferramentas digitais, mas nunca aceitar que as suas capacidades crescentes se sobreponham a uma comunicação que coloca a pessoa humana no centro, feita com vozes e rostos humanos. Foi a mensagem central deixada pelos participantes no encontro de reflexão realizado ontem pelo Departamento Arquidiocesano para a Comunicação Social (DACS), na Casa da Terra, em Celorico de Basto. A realização, que evocou o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, colocou no centro da análise o desafio lançado a todos os comunicadores pelo Papa Leão XIV: “Preservar vozes e rostos humanos” em todo o processo comunicativo.
Numa comunicação detalhada sobre a proposta do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Padre Tiago Varanda, da Arquidiocese de Braga, sublinhou o que está no centro da proposta do Santo Padre. «O Papa diz-nos que todo o ser humano é chamado a viver o amor, e o amor vive-se incontornavelmente pela comunicação. Não há amor sem verdadeira e autêntica comunicação, que não pode ser substituída pela tecnologia ou por simulações comunicacionais da inteligência artificial», sublinhou o sacerdote. Com o sentido especial que comunica quem é invisual, Tiago Varandas defendeu a prevalência de uma «comunicação íntima», que se expressa, «no corpo e através do corpo» e que ganha mais plenitude «na voz e no rosto».
«Por isso, o Papa diz que esta comunicação do ser, este ser que se comunica, não pode ser substituído por qualquer outra simulação tecnológica», acrescentou o sacerdote, para deixar claro que embora a inteligência artificial seja capaz de «imitar comunicação» e «imitar diálogos humanos», não existe nesse modelo «uma comunicação do ser».