Há um som que durante décadas fez parte da paisagem de Santa Marta de Rossas, em Vieira do Minho: o martelo a bater no metal. Dentro das oficinas, entre o fogo, o cobre e ferramentas que atravessaram gerações, nasceu e sobreviveu uma arte com cerca de 200 anos. Hoje, são apenas dois os homens que, a tempo inteiro, continuam a dar-lhe forma: José Silva e Bernardino Alves.
É uma atividade que aprenderam dentro da própria família e que continuam a exercer numa altura em que o futuro desta tradição se apresenta cada vez mais incerto. O reconhecimento recente como Património Cultural Imaterial veio trazer uma nova visibilidade a este saber-fazer, mas também chamar a atenção para a necessidade de o preservar.
José Silva começou a aprender a arte ainda em criança, com o avô, que já trabalhava na produção de alambiques. Mais tarde, foi o pai quem continuou a ensinar-lhe os segredos da profissão. O negócio que hoje se mantém começou, oficialmente, em 1981.
«Esta arte já vem do meu avô. O meu avô já trabalhava nos alambiques. Desde pequeno que fui aprendendo com ele, depois mais tarde com o meu pai», conta ao Diário do Minho.
A história de Bernardino Ferreira Alves não é muito diferente. Também ele recebeu o conhecimento dentro da família, através do pai. Chegou à oficina ainda criança e, depois de abandonar a escola, começou a dedicar-se à atividade. «prendi com o meu pai. Isto era de família dos meus avós», recorda.
Começou a trabalhar mais a sério por volta dos 12 anos, interrompeu o percurso para cumprir o serviço militar obrigatório e regressou depois à oficina. Desde então, nunca mais deixou a arte.